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Dor não pode ser vista como normal em idosos - Jornal Nossa Folha

08/08/2017 20:01

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Pesquisa mostrou que pacientes com mais de 60 anos queixam-se duas vezes mais incômodo que aqueles com menos idade
Pode-se dizer que sentir dor é considerado um sintoma natural do envelhecimento que acontece com frequência nos idosos. Pesquisa realizada na Suécia mostrou que pacientes com mais de 60 anos queixam-se duas vezes mais de dor que aqueles com menos idade.
No entanto, na maioria das vezes, um pouco de dor eventualmente se enquadra dentro dos padrões normais de aceitação. Problema ocorre quando não há qualquer esforço por parte da terceira idade para tratá-la.
Estudos mostram que, em idosos institucionalizados, a dor pode ter a prevalência de até 83%. Esse alto índice deve-se a uma cultura errônea, pois muitos idosos não buscam especialista porque consideram a dor um sintoma comum nessa faixa etária e acreditam que devem se acostumar com ela. Quando, na verdade, é preciso entender mais a fundo os mecanismos de sintomas nessa nova fase da vida.
Um ponto a ser destacado é a dificuldade de diagnóstico da dor, já que a mesma é subjetiva e como o cognitivo dos idosos fica alterado por causa da idade, dificulta “quantificá-la”, apesar de já existirem questionários objetivos que ajudam nessa questão.
Por definição didática, a dor aguda é aquela que dura menos de três meses e é considerada benigna, capaz de nos proteger de estímulos dolorosos por reflexos de proteção, enquanto a dor crônica dura um tempo maior e é considerada uma dor patológica, já que gera alterações comportamentais, depressão, crises de ansiedade, imobilismos (muito prejudicial ao idoso), entre outras complicações.
Vale ressaltar que uma dor aguda pode ficar crônica por falta de tratamento, já que a cronificação é a perpetuação da mesma por mecanismos de memória de dor. O sistema nervoso permite que ela seja gravada no cérebro, a memória da dor. “O tratamento inadequado da dor aguda facilita esse processo e culmina na dor crônica, por esse motivo é tão importante a adequação do tratamento da dor aguda”, explicou a especialista em Terapia da Dor Mariana Palladini.
As dores mais propensas a se tornarem crônicas nos idosos são: lombociatalgias (região lombar), cervicobraquialgias (pescoço), osteoartroses (joelho, quadril e ombros), infecções urinárias de repetição, neuralgias pós-herpéticas e neuropatias diabéticas.
Mas a dor crônica pode e deve ser tratada. De acordo com a patologia e o quadro clínico, o médico deve decidir o melhor tratamento da dor para o paciente. Por ventura, esse tratamento de controle pode ser longo, o que torna importante a relação médico e paciente, além do apoio familiar na busca de uma melhora do quadro.
“Idosos não necessariamente terão algum quadro de dor crônica. Alguns podem sofrer de dores eventuais e essas podem ser tratadas com analgésicos simples, no momento de necessidade. Por exemplo, alguns pacientes que fazem alguma atividade maior, como fisioterapia, viagem mais prolongada ou permanecem mais tempo em pé, preventivamente, podem lançar mão de medicamento para o alívio da dor. No entanto, é preciso buscar um especialista, pois somente ele será capaz de identificar se o quadro é agudo ou crônico e definir o melhor tratamento”, esclareceu a especialista Marina Palladini.
 

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